Dr Guili Pech explica como cuidar do seu coração

Dr Guilli Pech explica como cuidar do seu coração

Entrevistado por Cláudia Tenório, do Programa Vida Melhor da Rede Vida, Dr Guili Pech explica como cuidar do seu coração –  29/09/2020

Íntegra da entrevista:

Eu já disse que hoje é o dia do coração, o dia mundial do coração gente.
Uma data que foi criada pela federação mundial do coração como uma forma de conscientizar a população sobre a importância de cuidarmos do nosso estilo
de vida para evitarmos doenças cardíacas.

Cuidar do coração é coisa de quem ama a vida!
Vamos acompanhar esse VT.

Criado pela sociedade brasileira de Cardiologia, o cardiômetro é um indicador do número de mortes por doenças cardiovasculares no país.

As doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortes no Brasil. São mais de mil e cem mortes por dia, cerca de 46 por hora, uma morte a cada 90 segundos. As doenças cardiovasculares causam o dobro de mortes que aquelas devidas a todos os tipos de câncer juntos, 2,3 vezes mais que todas as causas externas de acidentes e violência, três vezes mais que as doenças respiratórias.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que, ao final deste ano, quase quatrocentos mil cidadãos brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação. Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas ou postergadas com cuidados preventivos e medidas terapêuticas.

Gente, eu fiquei impressionada com esses números, acho que você também ficou impressionado né? A gente se acompanhado, aí algumas notícia é o que a gente fala, isso ninguém mostra né? Teve um número, infelizmente, é um número muito grande, é pra gente realmente se preocupar, é pra gente ir olhar para nossa vida para o nosso estilo de vida e pensar: “será que eu tô fazendo aquilo que eu preciso fazer?” Porquê sem essa viu? Às vezes você fala assim: “aí aqui, não gosto de exercício físico”, “aí que eu não gosto de fazer uma alimentação equilibrada” , “que eu gosto de comer essas coisas, mas a gente tem que aprender a gostar daquilo que a gente tem que fazer, isso é muito sério…”

É sério, aprenda a gostar daquilo que te faz bem tá! E olha, para conversar mais sobre esse assunto, eu convido o
cardiologista especialista em arritmias cardíacas, Doutor Guili Pech.
Seja muito bem-vindo! Como vai doutor, tudo bem?

– Olá Cláudia, muito obrigado pelo convite. É uma honra participar do seu programa, você me ouve bem?

– Eu tô te ouvindo super bem! Você fala aqui de São Paulo mesmo Doutor?

– Tô falando de São Paulo, mas eu sou do Rio. Eu vim para São Paulo resolver algumas coisas, e aí não perdi a
oportunidade de dar uma passadinha aí no seu programa. Aliás, acompanhei um programa que você fez com meu amigo,
Ítalo Marsili, que foi bem bacana, e eu te parabenizo por esse e por muitos outros programas.
Mas vamos falar de coração né?

– Vamos falar de coração, com coração né?

– Eu acho linda a profissão do médico, aliás, todos os profissionais da Saúde porque envolve o coração, porque é uma profissão de doação, de amor né, de envolvimento com o paciente. Então já de antemão, também agradeço em nome de toda a população por essa profissão tão maravilhosa.
Agora doutor, tô falando de coração, eu disse ainda há pouco da gente olhar para o nosso estilo de vida e dar uma repensada né, porque eu acho que começa por aí, o cuidado com o coração?

– Perfeito, não existe nenhum remédio, nenhuma intervenção cirúrgica ou qualquer intervenção em medicina que seja tão impactante quando quanto a mudança de estilo de vida. Talvez, comparável a isso, só lavar as mãos, e vacinas, né, mas é emagrecer, se alimentar bem, fazer atividade física regular, e parar de fumar. As medidas que a gente chama de medidas comportamentais elas são fundamentais para a prevenção de qualquer doença, e em especial, das doenças cardíacas né. Da hipertensão, do coração grande, do infarto do miocárdio e até mesmo da morte pelo coração é, sem dúvida nenhuma.

– Falamos um pouco do estilo de vida. Eu fiquei muito impressionada com o número de mortes né, a gente ficou
ouvindo notícia e todo dia fala-se muito das mortes por Covid, agora, esse número de mortes por problemas cardíacos é altíssimo, e a gente muitas vezes nem fica sabendo! Como é bom a gente poder fazer esse alerta para a população. Isso é muito sério!

– Pois é, a doença cardíaca é a doença que mais mata no Brasil e ela briga né, vamos dizer assim, é uma briga ferrenha entre a doença cardíaca, em especial os infartos, juntos brigam com os AVCS, os derrames, pelo primeiro lugar no mundo inteiro. Mas no Brasil é a doença que mais mata né. E estima-se que, com essa epidemia de obesidade, o crescimento dos fast-foods, com a população ficando cada vez mais sedentária, que esses números vão aumentar mais ainda, como mostrou o seu VT aí no começo do programa.

– Ok então a gente precisa realmente fazer essa estatística cair por terra mudando o nosso estilo de vida. Eu tô falando com você minha cara telespectadora e telespectador, vamos evitar esse bando de tranqueira que a gente come, o fast-food. “Ah, eu amo fast-food”. Esquece, porque fast-food não te ama e vamos fazer exercício físico. Agora, além disso, o que mais que a gente pode fazer para prevenir problemas sérios no nosso coração?

– Então, passando essa etapa, de você fazer atividade física, se alimentar bem, e eu costumo sempre falar isso, virou quase um Mantra, eu repito isso dia após dia, a anos na minha vida, mas isso efetivamente é o mais importante. Então tirando isso, eu acho que as recomendações são sempre de você ter um médico que te acompanhe,  principalmente depois dos 40 45 anos ou, se você tem história na família de alguém que tem algum problema cardíaco grave, até mesmo antes disso, para ser examinado, para ser ouvido, para gente poder entender qual é a sua história clínica. E aí, é promover medidas, tantos terapêuticas quanto preventivas, mais direcionadas para você mesmo.

Então eu acho que, se você seguir esse script, de cuidar minimamente da tua saúde para esses aspectos que eu falei , alimentação, educação física e etc, associado a consultas, ou pelo menos uma consulta com um cardiologista ou médico, que pode detectar algum problema inicial, a chance de você ter algum problema cardíaco sério no futuro diminui muito. Então isso é muito importante Cláudia.

– Ok, os problemas cardiológicos normalmente são silenciosos né ou a gente tem algum sintoma e que precisa de atenção?

– Excelente essa tua pergunta pelo seguinte: o coração da gente, ele é um órgão muito poderoso né, ele é um órgão muito importante no nosso corpo, Então, Deus fez ele para só dar sintoma na gente, quando ele tá muito, muito comprometido. Então eu canso de ver paciente que tem obstrução em duas, três artérias no coração e não sentem absolutamente nada. E aí, quando sentem já é uma fase mais avançada e a gente talvez não posso oferecer tanto para esse paciente. Então, o ideal é procurar um médico é já quando você apresenta fatores de risco, mas sem sintomas.

Agora quando da sintomas e às vezes pode não acontecer, e a primeira manifestação de uma doença cardiológica pode ser uma morte súbita. Mas quando da sintomas, geralmente os sintomas de obstrução de coronárias são as doenças mais comuns do coração, é aquela dor no peito, uma dor que aperta, geralmente que pode irradiar para o braço esquerdo, e principalmente que piora quando você faz atividade física quando você faz alguma esforço, seu coração precisa funcionar mais. Então ele fica sob um maior estresse. São normalmente as dores cardíacas, elas vem antes com um esforço e depois com o repouso. Isso não é uma regra, a gente não pode esperar para ter uma dor somente no esforço para poder procurar um atendimento médico, mas essas são as principais característica.

Agora, o mais importante é ver se a sua pressão tá ok, se a sua glicose tá ok, como é que tá os seus níveis de colesterol, você tá fazendo atividade física, para não deixar chegar ao ponto de ter algum problema cardíaco sintomático.

– Perfeito, a gente falou bastante de estilo de vida e acabou falando de obesidade, que é um dos fatores de risco, mas eu queria saber, e aí já falo em nome dos magrinhos, as pessoas que são magras, ou aquelas que não são nem magras nem gordas, não são obesas, elas estão fora do grupo de risco para doença cardiológica?

– Não. Os obesos, a gente se fala muito dessa questão de grupo de risco por conta da covid-19 entre os obesos, eles realmente são grupo de risco, mas você não precisa necessariamente ser obeso para estar dentro de um grupo de risco de uma doença cardiológica. Por exemplo: o fator de risco com maior impacto para problemas do coração é o fator genético. Então, se eu sou magro, sou atleta, mas tenho um pai e uma mãe que, com menos de 55 50 anos de idade, morreu subitamente, ou teve um infarto cedo, eu ainda assim estou sobre rico, eu devo recobrar as minhas atenções mesmo sendo magro, mesmo tendo uma vida saudável, eu ainda preciso acrescentar mais aí.

Então, esse aspecto genético por exemplo, é um aspecto importante, a gente sabe que pessoas magras, mas com hipertensão estão dentro do grupo de risco. A gente sabe que pessoas que têm hipercolesterolemia familiar, ou seja, o colesterol é geneticamente alto, também estão em grupos de risco. Então, não são só os obesos. Os obesos também representam uma parcela significativa do grupo de risco, mas não são só eles não.

– Ok, muito obrigada Dr, muito obrigada pela participação, obrigada por poder junto aqui com toda nossa equipe alertar a turma para esse cuidado com o coração no dia mundial do coração e eu vou passar os seus contatos aqui, só para produção ver se eu tô falando certo: o seu site é www.saepech.com.br e o Instagram @guilipech.
Muito obrigada, um ótimo dia e uma ótima tarde e até a próxima oportunidade eu quero que você venha aqui pessoalmente tá bom?

– Será um prazer Cláudia, muito obrigado à você e à produção.