O Pós-Covid e o Cérebro

O Pós-Covid e o Cérebro, uma live que eu fiz com o @drfredericoporto.  Uma conversa muito esclarecedora, e que merece ser assistida até o fim.

– drfredericoporto: “Então @drguilipech, me diz uma coisa, você é cardiologista?”

– drguilipech: “Sim, sou cardiologista de Formação, eu tenho uma história, enfim né, curiosa, porque eu sou aquele cara que teve a formação super acadêmica, vamos dizer assim. Eu fiz faculdade na UFRJ, fiz Clínica médica na UFRJ, fiz Cardiologia na UFRJ, e mais dois anos de Arritmia e Eletrobiologia na UFRJ. Passei 12 anos estudando, sempre tive aquela formação mais tradicional mesmo, e eu brinco que, até antes da Pandemia, o meu barato era pegar um catéter e colocar lá no coração de uma pessoa e estimular e fazer uma plação.”

E, quando veio a Pandemia, de certa forma, me veio um espírito, acho que eu consegui entender que ia chegar “coisa braba” aqui no Brasil, e eu falei “eu quero aprender a tratar isso”, eu sou médico, esquece a especialidade, eu quero ir para a guerra. Eu tive essa cabeça. E aí, eu comecei, então. Eu me lembro que no começo da pandemia, eu ficava até traduzindo artigo em chinês, que era o que a gente tinha naquela época, para tentar entender isso desde, cedo sobre a doença né, e acabei aprendendo muita coisa sobre a doença. E, no meio desse caminho, eu comecei a fazer uma reflexão daquela Medicina que eu fazia, o processo pelo qual eu aprendi a Medicina.

 

 

E, algumas práticas que eu tinha preconceito, práticas mais integrativas, mais funcionais, começaram a fazer parte aí da minha vida, eu comcei a olhar com outros olhos, e hoje eu sou um médico muito mais completo. Eu acho que agora eu faço a verdadeira medicina integrativa, que é aquela que integra a medicina mais tradicional a uma medicina mais funcional. Então, eu abri muito a minha cabeça e, eu acho que eu tô tratando dos meus pacientes muito melhor.

Porque, na verdade né, a Cardiologia é uma especialidade muito Mecânica na Medicina né. Brinca-se que é uma hidráulica, pois às vezes “entope”, você “regula a pressão”, não é? Ela é altamente Física mesmo, ela é um tipo de especialidade que, se você considerar, o Cardiologistá é um médico bem cético né, assim
geralmente nesse porque ele lida com uma coisa muito física né?

É, e no meu caso, é hidráulica e elétrica. Exatamente, o Cardiologista é uma espécie de “bombeiro e eletricista”.
E, o modelo ali da Medicina mais tradicional, baseado em evidências, é um modelo que encontra na cardiologia uma facilidade de se provar.
Ah, eu tenho pacientes infartados: Metade diz que desentope a artéria, a outra metade diz que não desentope a artéria, e aí, o que acontece?
Aí, é mais fácil de você encaixar esse tipo de estudo dentro da Cardiologia. Então, esse modelo está muito presente dentro da Cardiologia.
É mais ou menos isso mesmo, era engessado, e faz muita diferença quando você abre a sua cabeça.

E o Léo, que está me assistindo aqui, é um cara que me ajudou muito nessa história aí. Ele me procurou e começou a falar comigo, e me ajudou muito a abrir a minha cabeça.

– drfredericoporto: “Então Guili, na sua experiência, nós temos cerca de um ano e meio, desde o início da Pandemia, o que você tem visto no seu consultório? Esse Pós-Covid, com esses sintomas neuro-psiquiátricos?”

– drguilipech:  “Isso é o que tem mais me chamado a atenção na Pandemia. Eu acho assim, que a comunidade médica e científica, como um todo, ainda não se atentou pro pós-covid. A gente começou a falar por aqui, mas isso ainda não está bem estabelecido. Isso vai ser um problema. Então, a gente achava no começo da pandemia, que a covid era uma doença viral né, tinha lá uma fase que você era infectado, o vírus ficava circulando e se multiplicando no seu organismo, algumas pessoas, depois de um certo tempo, tinham uma Resposta imune exacerbada. Essa resposta imune exacerbada acabava ali, em algumas pessoas, atacando o vírus e o pulmão, e algumas pessoas evoluíam mal.”

Mas, e a partir daí?
A gente no começo a gente achava que a pessoa morria, ou era entubada, ou melhorava. E hoje em dia a gente sabe que a covid ela não é uma doença aguda mais. Ela tem uma fase aguda, ela tem uma fase mais inicial, que coloca ela mais em risco de vida.
No entanto, o que vem acontecendo é que, pessoas que tiveram a covid, mesmo em quadros leves experimentam, continuam experimentando sintomas por longos períodos. Às vezes três, às vezes doze, às vezes 15 meses experimentando esses sintomas.

Sequelas do Pós-Covid:

Então olha só, a gente tem mais de 20 milhões de pessoas recuperadas no Brasil. Oitenta por cento dessas pessoas, mais de 16 milhões de pessoas, continuam com algum sintoma. Fadiga, perda de olfato, perda de memória, depressão, dificuldade de foco, coisas esquisitas. Mas, o mais importante, é que 35 por cento dos recuperados, 6 milhões de pessoas, têm sintomas incapacitantes. Então é o cara que não morreu, mas ele não volta a ser funcional, ele não consegue mais trabalhar, ele não consegue trabalhar porque não consegue raciocinar direito, não consegue focar. Ou então, ele é um personal trainer por exemplo, e vive cansado, não consegue mais
mais trabalhar, então mais de 6 milhões de pessoas estão incapacitadas por causa desses sintomas do pós-covid. E, muitas vezes, isso não é reconhecido ou detectado.

No meu consultório, eu vejo de tudo: é fadiga, cansaço mental, falta de foco, cansaço físico, palpitação queda de cabelo, alterações hormonais nas mulheres com ciclos menstruais mais loucos. Eu tive uma paciente que teve amenorréia sem menstruar seis meses. Mas, de tudo isso, o que mais impressiona, é que os sintomas são muito diversos, mas infelizmente muitas vezes eu sou o segundo, terceiro, quarto médico, que aquele paciente procurou, porque muitas pessoas atribuem esses sintomas específicos à ansiedade.

“Ah, isso aí não é nada, tá ansioso por causa da Pandemia”, “vai passar”, e a gente sabe que a gente identifica né, e que tem possibilidade de tratamento. Muitas vezes você consegue tratar com medicação, e muitas você consegue através de suplementação, de vitaminas e minerais, melhorar bastante o quadro.

Eu venho fazendo esse trabalho de tentar explicar para as pessoas de que não é ansiedade, e não é porque a pandemia tá deixando todo mundo louco, e que existe uma síndrome. Diante de uma queixa dessa de atenção é quando é uma coisa abrupta é muito nítido quando é algo orgânico ou psíquico né, de origem psiquiátrica, quando você tem uma queixa uma pessoa que não consegue se concentrar, não consegue fazer uma operação de matemática, fazer de cabeça, agora não tá fazendo mais, então houve um corte né, isso não é algo de origem psíquica, é algo de origem orgânica mesmo. Você precisa verificar que algo aconceceu com o hardware, e não com o software.

Está gostando do post? Então vá até esse link 👉 e assista a Live na íntegra.

Dr. Guili Pech

Eu sou o Dr. Guili Pech, sou formado em Medicina, e possuo especialização em Cardiologia e Arritmologia. Sou favorável ao fortalecimento da saúde e da imunidade através de hábitos saudáveis, de uma boa alimentação e também da suplementação. Sou especialista no combate ao Covid-19, e defensor do tratamento precoce para o combate do coronavírus.

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