Olá pessoal, não tem como negar que a interpretação dos exames sorológicos contra o coronavírus, aqueles que medem os anticorpos contra a doença é super confusa.
Quem nunca ouviu falar na história de uma pessoa que teve contato com a doença, seja ficando com sintomas, seja fazendo os exames do soap nasal (aquele exame do cotonete no nariz), que mostra a presença de vírus no organismo, e que tenha, 15 20 30 40 dias depois, feito o exame de sangue que mede os anticorpos e esse exame deu negativo, ou seja, a pessoa não tem o anticorpo no organismo?

Até semana passada, nós médicos, basicamente dávamos duas interpretações para essa situação:
A primeira, é que a pessoa simplesmente não tinha ficado imune, pegou a doença e já tinha criado os anticorpos.
A segunda, é que aquele exame poderia estar errado.
Pois bem, como tudo na medicina, isso era um raciocínio simples demais para ser verdade.

Recentemente foi publicado esse artigo que eu estou mostrando aqui do lado. Artigo esse que fala sobre uma segunda via, uma via alternativa de defesa contra o coronavírus, não relacionado aos anticorpos, portanto, há uma segunda maneira do corpo se defender do vírus, que não seja a presença de anticorpos, que não seja produzindo anticorpos.

Maneira essa que a gente não consegue detectar no sangue, portanto uma pessoa pode sim, pegar a doença ou entrar em contato com o vírus e ficar imune, e quando for medir os seus anticorpos, o exame vai dar negativo, porque, provavelmente, a via responsável pela imunidade daquela pessoa, é essa via que as células T, que o artigo fala, como eu havia dito anteriormente.

Eu sei que pode ter ficado um pouco confuso de entender, mas eu vou tentar dar um exemplo mais didático, para que você pegue a informação.

Bom, para facilitar vamos pensar na seguinte situação: imagina que o vírus é um país agressor, que invada o brasil, por exemplo, e o sistema imune é um conjunto de armas que vai defender o nosso país.
Dentre essas armas, nós temos o anticorpo que eu vou chamar aqui de “míssil”.

Imagino que o brasil, para ganhar essa guerra, use a diplomacia, use revólver, use metralhadora, use tanque de guerra, mas não use míssil.  Provavelmente, se algum analista tentar inferir o resultado dessa guerra hipotética que eu falei, pela quantidade de mísseis dispensados, ele vai errar o resultado.
Ele vai imaginar que o brasil perdeu a guerra, como na verdade eu falei que ele ganhou.

Voltando lá para o nosso exemplo, eu disse para vocês que o anticorpo seria esse míssil, por exemplo, só apenas um exemplo hipotético.

Então, se a gente medir um anticorpo, a gente vai imaginar que um paciente, por exemplo, não está imune, quando na verdade ele pode sim estar imune, apenas utilizando outras armas para vencer o vírus.
Espero que tenha ficado claro, comente se você gostou, inclusive desse exemplo esdrúxulo que eu dei (risos).
Também espero ter ajudado na sua compreensão e no seu entendimento um pouquinho mais sobre o problema que a gente está vivendo.

Um grande abraço a todos mais uma vez!

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