Sinais e sintomas da COVID 19 ( Coronavírus ) : O que há de mais novo ?

Alô pessoal, bom dia. Dr. Guilli Pech aqui falando, tudo bem?
Às vezes a gente fala muito de tratamento, sobre máscaras, sobre Lockdown, etc, mas é importante a gente sempre voltar ao cerne principal da questão, que é o reconhecimento da Covid-19, e para isso a gente precisa falar sobre sintomas.

Eu vou aqui trazer algumas novidades, novidades essas que vem baseadas no trabalho do Dr. Flavio Calejani, que é um amigo querido, que eu tive a oportunidade de conversar essa semana. Durante a Live a gente falou algumas coisas interessantes, e eu queria reforçar aqui, principalmente o que se sabe de novo em relação aos sintomas da Covid-19, como reconhecer como entidade de doença.

Então a gente já sabe, e eu já tinha falado sobre isso, existem 3 clusters da doença, três grupos de apresentação:

O primeiro grupo é o que se parece uma gripe, então você tem nariz escorrendo ou entupido, garganta arranhando, tosse, enfim, sintomas que parecem uma gripe.

O segundo grupo é um grupo que parece ser uma Dengue, as pessoas com dor no corpo, nas articulações, parece que um caminhão passou por cima de você.

E o terceiro grupo é o dos sintomas gastrointestinais. Relatos de diarreias, náuseas, vômitos. Obviamente você pode ter um entrelace entre os grupos, tendo tosse e diarreia, dor no corpo e enjoo, mas, estaticamente, a gente pode sempre reconhecer um cluster, uma forma de apresentação principal.

Bom, os dados eles tem evoluído, e tem surgido algumas novidades e eu queria pontuar aqui.

A primeira novidade é que se está percebendo uma certa temporalidade dos sintomas, ou seja, existem sintomas que acontecem mais no primeiro dia, e existem sintomas que acontecem mais no segundo e terceiro dia, e assim por diante.

E isso facilita a nós médicos, a saber se o paciente se encontra em uma fase precoce da doença, e isso vai orientar a melhora terapêutica.

Então, o Flavio tem estudado que no primeiro dia de doença, o que você tem são sinais de entrada do vírus no seu organismo.

Se o vírus entra pela boca, você terá sintomas de garganta arranhando. Se ele entra pelo nariz, os sintomas são nariz escorrendo, coçando ou entupido.
Se o vírus entra pelo olho, e essas são as principais portas de entrada desse vírus, você terá o olho vermelho ou coçando.

Então esses são os sintomas típicos de primeiro dia, e talvez esses sejam os principais da nossa maior janela real de oportunidade para começar a tratar a Covid-19, pois são os sintomas mais precoces.

O segundo e o terceiro dia, você já tem os sintomas relacionados à replicação do vírus, que agora estão se multiplicando. Esses sintomas são: fadiga, sensação de febre (você ainda não está com febre, mas sente que o seu corpo está quente), dor muscular, diarreia. Esses são os principais sintomas dessa fase, a da replicação viral.

Mais ou menos no quarto dia da entrada do vírus, é que anosmia, a perda do olfato acontece. Percebo, então, que esse sintoma não é tão precoce assim, que geralmente, em média, isso acontece lá pelo quarto dia.

Depois vem a febre, então a febre é lá pelo quinto ou sexto dia. A temperatura de 37.8 você só vê lá pelo sexto dia.
portanto, se você já está sentindo febre, provavelmente os seus sintomas já não são tão precoces assim.
Logo após vem a saturação baixa, e por último, a falta de ar.

Obviamente, nem todo paciente evolui com essa regra, com essa linha do tempo, mas isso facilita o nosso entendimento e facilita, como eu disse, a caracterização da fase da doença, de como a pessoa se encontra, e vai facilitar o tratamento.

Então você está me dizendo se a minha garganta está coçando, então isso pode ser Corona vírus, e eu devo tratar?
Pois é, concordo com você que parece muito pouco, mas eu tenho a resposta para esse questionamento:

– Sim, você deve tratar, nesse momento de Pandemia, uma garganta coçando pode ser suficiente para você tratar. Mas o Flávio também está preocupado com isso. Portanto, ele está desenvolvendo um score, uma forma de melhorar, de refinar, através apenas dos seus sintomas e da sua história, o diagnóstico da Covid-19.
Então, ele está vendo, ele está criando um Score que vai pegar, por exemplo, um sintoma associado ao fato de um paciente ter tido contato com um caso confirmado. Então, se você está na sua casa, tem esposa e filho, que tenham a confirmação de terem contraído a Covid-19, e aí, você está com a garganta arranhando, ponto, você está com Covid, é sinal que tem que começar a tratar.

Ou, o sintoma simples, sem ter tido contato, a perda do olfato, sim, você está com Covid, você tem que tratar. Mas, se você não tiver tido contato, talvez você precise apresentar mais sintomas, dois ou três sintomas, para poder começar o tratamento contra a Covid. Isso ainda vai sair, mais é uma tendência do Score clínico, baseada nos sintomas, para orientar o médico e aumentar a eficácia do tratamento. Para você evitar o “Over treatment”, tratar demais.

Mas, nesse momento, como a gente não tem isso, eu acho que a gente tem que tratar demais sim.

E por último, uma coisa bem interessante que ele vem falando, e que faz muito sentido, é que a doença parece ter uma sazonalidade em relação aos sintomas.

O que é isso?

Os sintomas vão mudando. Lembra? O vírus é um vírus de RNA, faz mutação muito fácil. Se ele vai mudando, naturalmente os sintomas vão mudando também.
Então agora a gente está vendo agora uma onda muito maior de pessoas com dores articulares em relação ao ano passado, então, isso deve ter relação com as mutações que o vírus faz.

Eu quis fazer esses insights, eu acho importante que você paciente, e você colega médico, conheçam o que há de mais novo de pesquisa em termos de sintomas da Covid-19 e fico à disposição para responder a todas as dúvidas porquê esse vídeo é pequeno e não dá para falar tudo com maiores detalhes aqui. Mas me coloco à disposição para responder a todas as perguntas, tudo bem?

Um grande abraço a todos!

 

 

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